16/11/2020

Incautos

Reinaldo Chaves Rivera

É impressionante a quantidade de pessoas incautas que estão caindo na armadilha montada pela esquerda que domina grande parte da imprensa. Não se apercebera que não se trata de jornalistas,  mas de estelionatários que, ardilosamente, criam falsas notícias com o único intuito de promover o assassinato de reputação do presidente Bolsonaro.

Temos de entender que a imprensa era, ao tempo dos governos comuno-socialistas no Brasil (FHC, Lula e Dilma), um braço do poder regiamente remunerado com o dinheiro dos contribuintes. Esses militantes da esquerda travestidos de jornalistas recebiam milhões, muitos milhões, naqueles tempos, não só porque o governo federal jorrava dinheiro em publicidade nas mídias, mas também por intermédio de palestras que chegavam a custar um ou dois milhões de reais ou mesmo por captação de recursos da Lei Rouanet. A teta secou e estes arautos do marxismo-gramscismo estão muito revoltados, rancorosos, espumando de raiva, pois acabou o dinheiro. E, pior para eles, muitos jornalistas sérios estão mostrando ao povo a realidade do governo Bolsonaro e desmascarando as farsas jogadas no ar todos os dias pelos jornazistas. Por isso, esse ódio tamanho contra Bolsonaro, que começa às cinco da manhã e vara a madruga, com todo o tipo de imposturas, fraudes e ataques.

Nada obstante toda a bílis regurgitada pela imprensa vermelha, a popularidade de Bolsonaro só faz crescer. E cresce na mesma medida em que aumenta a quantidade e intensidade dos ataques da esquerda contra ele.

Alguns exemplos recentes:

- Kassio Nunes teria plagiado sua tese ou dissertação; ódio nos Pravdas e Grammas tupiniquins;  o próprio autor supostamente plagiado vem a público negar o plágio: silêncio da imprensa “homesta e isenta”!

- Bolsonaro abraçou Toffoli: a imprensa diz que Bolsonaro traiu seus seguidores, mas não apresenta uma prova sequer de concluio ou prevaricação de qualquer deles.

- Bolsonaro negocia cargos com o Centrão: a imprensa mói de pancada o presidente, mas não consegue apontar um só ato de corrupção.

- Bolsonaro disse que acabou com a Lava-jato: metralhadora giratória de ódio contra Bolsonaro no rádio, jornal e televisão; mas Bolsonaro disse que acabou porque não há mais corrupção no governo federal: silêncio sepulcral dos meliantes, digo militantes da imprensa infestada de comunistas e socialistas.

E por aí vai se formando um verdadeiro rosário de estelionatos, fraudes e calúnias contra o presidente.

Qual o objetivo dessa estratégia bem urdida pela esquerda?

Cooptar o incautos para o time dos “decepcionados” !!!

A esquerda sabe que, diante da ampla popularidade de Bolsonaro,  a única chance que tem de voltar ao poder é criando uma legião de decepcionados e, depois, apresentar um comunista de banho tomado, à la Dória, com discurso água com açúcar no melhor estilo “gestor educado”, e voltar para roubar o que deixaram para trás. Nem as prensas da Casa da Moeda estarão a salvo!

Se deixarmos isto acontecer, seremos uma Argentina em pouco tempo e caminharemos para a venezualização a passos largos.

Não sejamos tolos a ponto de acreditar nessas arapucas da banda podre da imprensa.

Bituca Von Wittgenstein

Bom, já que mais de 100 pessoas pediram, aguentem que esse é longo...

Sobre os generais brasileiros serem melancias. Vamos tentar entender a coisa como um todo para parar de passar vergonha?

Bom, já começa com o uso da terminologia “melancia”. Vira e mexe, você vê alguém falando: “Ah, mas o juiz é melancia”. Meus caros, a analogia melancia vem de verde por fora e vermelho por dentro e, portanto, só é aplicável aos militares, por conta da farda verde. Mas vamos lá.

Marx foi o primeiro a defender o que hoje chamamos de comunismo. Muito resumidamente, estávamos numa época onde imperava o cientificismo, ou seja, onde as regras de determinada ciência estavam sendo descobertas e desenvolvidas. Newton descobriu as leis da Física, Darwin desenvolveu as leis da Biologia e Marx, erroneamente, achou ter desenvolvido as leis da História. 

Para Marx, haveria uma regra automática e infalível. O Feudalismo havia sido sucedido pelo Capitalismo, com a Revolução Industrial e o Capitalismo, de forma natural, seria sucedido pelo Socialismo/Comunismo. Para Marx, aquela massa de operários oprimidos que, realmente, existia nas cidades por conta da Revolução Industrial, entraria em conflito armado contra os opressores (burgueses aristocratas) e tomaria o poder dos meios de produção. Isso aconteceria invariavelmente, já que, na sua teoria, era uma das leis da História. 

Tenho muitas restrições com pessoas que chamam Marx de burro, ou coisas do gênero. Em primeiro lugar, o cara criou uma ideologia que persiste até hoje e, em segundo, a análise deve ser feita de acordo com o período histórico vivido. Naquela época, realmente, havia uma tensão entre operários (oprimidos) e burgueses (opressores). Ou seja, a teoria de Marx não era um absurdo. 

Contudo, ela se mostrou equivocada e se percebeu que o Socialismo não iria automaticamente tomar o lugar do Capitalismo. Pois bem. Marx era um cara de valores duvidosos e, realmente, já se demonstrava um subversor, valorizando o que era de mais abjeto na sociedade na qualidade de oprimido com legitimidade de se revoltar contra o sistema. Daí nasceu a relativização do criminoso, do malandro e por aí vai. 

Mas ok. A teoria criada no final do Século XIX acabou não se concretizando, mas influenciou diversos intelectuais e pretendentes ao poder pelo mundo. No início do Século XX, começaram a aparecer filosofias revisionistas sobre a teoria de Marx. Filósofos, dos mais diversos países europeus, começaram a se debruçar sobre as tais leis da História de Marx e tentaram entender o que havia acontecido para a não concretização do que fora profetizado. Naquele momento da História, as duas principais correntes revisionistas foram as desenvolvidas pelo francês Georges Sorrell e pelo alemão, conterrâneo de Marx, Eduard Bernstein. Para Bernstein, o Socialismo não iria substituir totalmente o Capitalismo, mas, na verdade, conviveria, pacificamente, com este, tirando do Capitalismo os recursos necessários para o desenvolvimento do Socialismo. Nascia, aí, a Social Democracia e a ideia de empresas pagarem altos impostos para financiarem a implementação do Socialismo. 

Já Sorrell, seguia uma linha completamente distinta. Na sua concepção, o Socialismo deveria suceder completamente o Capitalismo, que deveria ser extinto, mas o motivo de não ter acontecido como Marx previa era porque essa mudança na matriz social e econômica deveria dar-se pela força, através da luta armada. A classe oprimida deveria se armar e derrubar, à força, a classe opressora. 

Acontece que essa visão enfrentava um grande problema. Como tomar à força o poder de quem detém os meios de força? Como operários poderiam formar uma milícia que fosse capaz de derrotar as forças armadas comandadas pelo status quo, ou seja, pela aristocracia e burguesia? 

Embora a maior parte dos líderes comunistas tenham se identificado mais com a teoria de Sorrell, ao invés da teoria de Bernstein, havia um impeditivo óbvio, que era essa discrepância de forças. Acontece que o primeiro sorrelista conseguiu chegar ao poder e foi na Rússia, em 1917.  Mas há um detalhe histórico, que poucos conhecem e que foi fundamental para que isso acontecesse. 

Desde julho de 1914, havia estourado a Primeira Guerra Mundial. Sem entrar nos meandros de causa, da formação dos estados nacionais daquela época e afins, pode-se resumir, de forma muito compacta, que foi um conflito em que os chamados Impérios Centrais, comandados pela Alemanha, mas que contavam, também, com a Áustria-Hungria, com o Império Otomano e com a Bulgária lutaram contra França, Inglaterra, Austrália e outros países pela hegemonia dos territórios mundiais. Para o que nos interessa aqui, além do front ocidental, onde a Alemanha e seus aliados combateram França e Inglaterra, iniciou-se uma batalha no front oriental, em que os germânicos tiveram que enfrentar as forças russas comandadas por Nicolau II, o Czar russo da época. 

Pulando vários eventos históricos, eis que não necessários para a nossa análise, a Alemanha e seus aliados estavam tomando uma surra no front oriental da Rússia, em especial pela dificuldade em suportar o rigoroso inverno. Cientes de que ali era uma causa perdida e que daquele front poderia advir a derrota da guerra, a Alemanha começou a financiar um projeto sorrellista de poder dentro da Rússia, onde as ideias de Marx haviam adquirido grande aderência. Assim foi que recrutaram Lênin, que, nessa época, estava exilado na Bélgica e o enviaram de volta para Petrogrado (hoje, São Petersburgo), financiando seu projeto com o equivalente a US$ 1MM de dólares à época para que armasse sua milícia para um golpe interno. 

Bom, foi assim que entre março e junho de 1917, a milícia bem equipada de Lênin conseguiu tomar o poder na Rússia, já que enfrentaram forças de defesa fragilizadas por conta dos 3 anos de guerra. E em março de 1918, Rússia e Alemanha firmaram tratado de paz.

Acontece que a experiência sorrellista ao redor do mundo não foi muito bem sucedida, justamente, pelo que eu disse mais acima, porque seria difícil tirar à força governos que detinham o monopólio da força. 

A bem da verdade, a segunda revolução sorrellista importante que teve sucesso foi a Revolução Cubana, que se iniciou em 1953 e culminou na deposição de Fulgêncio Batista do governo em 1959. Da mesma forma que a Revolução Russa, a Revolução Cubana só logrou êxito porque foi fortemente financiada por Moscou, o que permitiu a preparação, treinamento e provisão de equipamentos aos revolucionários liderados por Fidel Castro.

Aqui vai o primeiro adendo. O Comunismo é uma ideologia revolucionária. Como tal, ela existe enquanto houver revolução. Ela sobrevive do dinamismo da revolução, eis que é alimentada pelos revolucionários. É por isso que se trata de uma ideologia globalista, já que, quando toma o poder em determinado país, obrigatoriamente, precisa acalmar os ânimos dos revolucionários, e é obrigada a focar em outro objetivo, normalmente, a conquista de outros territórios, para que a revolução continue viva. Percebeu que o Foro de São Paulo era isso? Era levar a revolução para todos os países latino-americanos. Se a revolução morrer, o ímpeto revolucionário morre. 

Acontece que, praticamente, todas as demais tentativas de tomada de poder pela Esquerda através da força fracassaram. No Brasil, por exemplo, o regime militar de 1964 acabou com a farra. Como poderiam os guerrilheiros precários fazer frente a um exército bem preparado e robusto? Isso aconteceu em vários lugares do mundo. Tanto é que o domínio soviético, no pós 2ª Guerra, deu-se, sempre, com o auxílio incisivo de Moscou. Os regimes socialistas de Hoxha, na Albânia, de Tito na Iugoslávia, de Ceausescu na Romênia e tantos outros nunca teriam existido sem o suporte financeiro, logístico e militar de Moscou. 

Assim é que, a partir dos anos 60, os intelectuais comunistas perceberam que quem estava certo era o esquecido e não tão famoso filósofo comunista italiano chamado Antonio Gramsci. Gramsci, que havia sido preso pelo regime de Mussolini, em 1926 (ficou preso por 11 anos, até morrer pouco tempo após ser libertado), aproveitou o período recluso para escrever sua obra-prima chamada “Cadernos do Cárcere”, de 14 volumes, que mudou toda a estratégia de dominação esquerdista no mundo, com reflexos, evidentes, até os dias de hoje. Gramsci pregava que a revolução comunista não deveria mais dar-se através da luta armada de classes (operários oprimidos x burgueses opressores), mas sim através da disseminação dos ideais socialistas na sociedade e, para isso, era importante ocupar os espaços nas Universidades, na Mídia e no Meio Artístico. 

Bom, vendo que a luta armada não era o meio mais eficaz de tomada de poder, os comunistas, influenciados por Gramsci, adotaram a estratégia de infiltrar seus agentes nos meios propagadores de informação (mídia, universidades e meio artístico), mas munidos de uma técnica já pregada por Lenin e reforçada por Gramsci, que era a divisão da sociedade em grupos de ditas minorias. 

O divisor de águas dessa mudança de estratégia foram as manifestações que alimentaram o movimento chamado “maio de 68”, em Paris. Ali, foi o primeiro momento em que a estratégia comunista claramente abandonou a guerra armada entre classes e começou a trabalhar na implosão das sociedades através do acirramento da cisão social. O negro passou a ser militante pelos direitos da comunidade negra, mas de forma a se afastar, cada vez mais, do seu objetivo de ter direitos iguais. O mesmo ocorreu com as mulheres, através do feminismo, com os gays, através dos movimentos em defesa dos então chamados direitos GLS e por aí vai. 

O agente revolucionário, ou seja, o agente que iria promover a revolução deixou de ser o operário e passou a ser o militante gay, o militante negro, a feminista e tantos outros componentes de subgrupos. E a revolução não se daria mais de fora para dentro, através da luta armada, mas sim de dentro para fora, através da desestabilização das democracias ocidentais. 

É por esse motivo que, após o maio de 68, tivemos pouquíssimas tentativas comunistas de tomada de poder pela via armada. O Camboja, com Pol Pot, é uma exceção, em 1975. Mas, na grande maioria das vezes, a técnica mudou para uma estratégia mais paciente de mudança da sociedade, de forma gradual, através da subversão dos valores tradicionais, que eram os balaústres das sociedades ocidentais naquele momento. 

Segundo adendo. A subversão dos valores de uma sociedade como meio de facilitar a dominação não foi criada pelos comunistas. A bem da verdade, o primeiro relato que se tem sobre essa técnica de submissão vem de Sun-Tzu, aquele mesmo de “A Arte da Guerra”, que já pregava que a forma mais eficaz de se conquistar um povo era não precisar entrar em confronto direto com ele, mas sim subverter seus valores a tal ponto que ele não mais o visse como inimigo. Percebeu que se tenta fazer isso hoje quando, por exemplo, tenta-se relativizar a gravidade dos crimes cometidos por marginais, tornando-os vítimas da sociedade e, portanto, não mais nossos inimigos?         

Bom, sobre subversão, recomendo assistirem a uma palestra de um ex-agente da KGB, chamado Yuri Bezmenov, dada em 1983, onde ele explica como se subverte uma sociedade e quais são as etapas para que esse processo aconteça (tem no Youtube). Ademais, eu escrevi um texto sobre isso, mais ou menos, em maio desse ano, onde esmiúço o tema. Sinceramente, acho que, talvez, seja o texto mais importante que escrevi na minha vida. Para quem quiser e para quem confiar em mim, recomendo a leitura. 

Subverter a sociedade é um processo de quatro estágios. Para o que nos interessa aqui, o primeiro degrau do processo é o processo de desmoralização, que visa desconstruir todos os valores nos quais a sociedade se baseia. Ataca-se religião, cultura, educação, trabalho e, em especial, a lei e a ordem. 

É necessário o descumprimento da lei e da ordem. Não se respeita mais a hierarquia, seja ela familiar, seja ela educacional (relação professor x aluno), seja ela qualquer relação onde há uma imposição de regras. 

Tenho certeza que você fala muito de Paulo Freire e de como ele influenciou a decadência do ensino do país. Mas eu pergunto: você leu Paulo Freire? Leu a Pedagogia do Oprimido? A Pedagogia do Oprimido é o típico veículo de desmoralização da autoridade do professor nas salas de aulas. É por essa estratégia ter sido colocada em prática que você vê aquelas cenas lamentáveis de alunos agredindo professores. 

Bom, vamos voltar ao assunto inicial? Lembra, depois de tanta informação, que a ideia era falar sobre as Forças Armadas?

Pois bem, todos os exércitos modernos funcionam através de princípios trazidos pelo exército romano, os famosos Pretorianos. Roma foi a primeira civilização a criar um exército profissional. Antes de Roma, os exércitos eram formados de escravos, servos e mercenários. Os escravos e os servos lutavam para não sofrerem represálias (leia-se: para não morrerem) e os mercenários lutavam por recompensas, que podiam ser quantias pagas pelos seus contratantes ou espólios de guerra.

Roma foi o império mais impressionante da antiguidade, justamente, por ter instituído um exército profissional, onde a função de cada um no campo de batalha se confundia com seu ofício frente à sociedade. O soldado era soldado e o general era general. Era isso que eles faziam. Era isso que eles eram. 

Mas como dominar essa pujante força composta por milhares de homens treinados para o combate? Através da introdução de dois conceitos: hierarquia e comando. Veja, quando um soldado espartano lutava comandado por Leônidas, ele o fazia pela ideia de que Leônidas era o imperador, indicado divinamente, e que, portanto, segui-lo era seguir suas crenças e atentar às vontades dos Deuses. No exército romano era diferente. Havia uma estrutura que determinava que cada soldado devia obedecer a seu superior, respeitando, cegamente, a hierarquia e o comando. Essa era a cola que ligava todo o contingente.

Bom, todos os exércitos modernos basearam-se na estrutura dos Pretorianos. Hierarquia e Comando. Não importa o que você acha ou deixa de achar, fato é que você tem que cumprir as ordens superiores pelo respeito à hierarquia e ao comando. 

Há regras nos Códigos Penais Militares com sanções para o descumprimento de ordens diretas, mas, na verdade, se você analisar friamente, essas regras são mais uma garantia do que o motivo pelo cumprimento. O cumprimento vem da ideologia em si. 

É por isso que se você estudar ao longo da História, verá poucas ocasiões onde houve uma insurreição nos exércitos modernos. Poucas vezes, muito poucas, as patentes baixas se opuseram às patentes altas. Veja a Venezuela, por exemplo. O povo todo quer a queda do Maduro, há muito descontentamento entre as baixas patentes em relação aos rumos do governo, mas o cara não cai. E por que não cai? Porque domina o comando. Recomendo, nesse aspecto, verem um vídeo no Youtube chamado “The Rules of Rulers”. É muito elucidativo. 

Vamos falar de militares comunistas? Bom, você já percebeu que a estratégia adotada pela Esquerda após o maio de 68 é uma estratégia que contesta o comando e a hierarquia. Ora, isso, por si só, já vai de encontro com os valores ensinados na carreira militar.  Não falam que militar é positivista? O que é ser positivista? Sem entrar na filosofia clássica de Comte e Durkheim, a ideia de positivista é a pessoa que privilegia a norma em si em relação aos valores que ela representa. Ao privilegiar o respeito à norma, privilegia o respeito à ordem. Expliquem, para mim, onde se encaixariam os revolucionários nesse cenário? Se o soldado tem que arrumar a cama, vestir a farda impecavelmente e cortar o cabelo respeitando um padrão exigido milimetricamente, onde entra o maconheiro deitado na rede ouvindo Caetano Veloso?

Mas vamos além. Vou repetir algo que postei há pouco tempo, mas que me parece oportuno. Todos sabem que Comunismo é furada. Principalmente os comunistas. Eles só defendem a ideologia para tirar um por fora, certo? Então, é de se concluir que, se os generais se alinham ao Comunismo, é porque estão tirando um por fora. OK, mas, então, cadê os escândalos de corrupção envolvendo militares? Se o PT comprou todo mundo (empresário, juiz, promotor, deputado, artista, senador e afins) por que não comprou militar? Se você, por um segundo, achar que não há escândalo envolvendo militar (e há um, envolvendo aquele almirante no caso da Usina de Angra) porque a mídia os protege, você está redondamente enganado. 

A mídia odeia os militares. E sabe por quê? Bom, sabendo que quem comanda a narrativa comanda os caminhos do governo, Vargas, em 1934, criou uma imunidade/isenção constitucional de imposto de renda para jornalistas. Na verdade, esse benefício foi criado para jornalistas, professores e escritores, ou seja, para quem iria contar a história sobre o governo. Ciente de que essa imunidade era arma de manipulação, o General Castelo Branco, em 1964, acabou com a farra, recriando a tributação sobre essas atividades. Daí para frente, toda a mídia, que, inclusive, foi a favor da tomada de poder em março de 64, virou-se contra os militares e começou a bombardeá-los. Ou seja, não há motivo algum para qualquer blindagem. 

Além do mais, o setor militar é, provavelmente, o mais propício para desvio de verbas, já que há, em muitos casos, sigilo dos contratos e dispensa de licitação. Mas, mesmo assim, não temos casos de militares delatados ou acusados de participar em esquemas de corrupção. Qual é a única conclusão que podemos chegar? Que os militares não entraram no jogo do PT, leia-se dos comunistas. 

Além disso, há outros sinais. O Ministério da Defesa, que sempre foi ocupado por um militar, no governo do PT, passou para as mãos de um civil – Tarso Genro, prática que continuou com o Temer, quando ele nomeou o Jungmann. 

Ou seja, você tem um regime (socialista/comunista) que prega valores antagônicos aos das FA, que, provavelmente, não conseguiu os corromper e que relegou a corporação a segundo plano, ao passo de que, hoje, temos um governo que dá voz aos militares, os incluem na cadeia de comando e se coaduna com seus princípios. Sério, depois de tudo isso, é uma fala isolada do Mourão sobre a Huawei poder participar do leilão 5g (participar do leilão e não levar de forma garantida) e uma foto do Ramos com o Aldo Rebelo que fazem você ter tanta certeza que os generais são comunistas? E se são agora, por que não eram no governo petista?

Isso sem falar de diversas intervenções pontuais que as FA fizeram para proteger os interesses nacionais e que nunca aparecem na mídia (lembra que a mídia odeia os militares?). Querem saber de alguns detalhes? Vamos falar de dois apenas e envolvendo um único recurso mineral brasileiro, o tão esquecido Nióbio.

Olha que legal. Para conseguir o apoio do PMDB ao seu governo, nosso querido FHC nomeou, em maio de 1997, o pmdbista Iris Rezende para Ministro da Justiça. Iris condicionou a aceitação ao cargo e, portanto, seu apoio ao governo, à indicação de um nome a uma pasta completamente estranha ao Ministério da Justiça. Iris aceitaria apoiar o governo se pudesse nomear o presidente do DNPM, Departamento Nacional de Produção Mineral. Iris indicou Leônidas Resende, seu irmão, que, não por coincidência, era presidente da Mineração de Nióbio de Catalão, empresa sul-africana pertencente à Anglo-American,, dos Rothschilds. Bom, segundos geólogos do DNPM, contrabandeou-se, através do Porto de Tubarão, mais de US$ 200 bi em Nióbio, sem que nenhum ente federativo (municípios de Araxá e Catalão e estados de GO e MG, além da União) tenham recebido um único centavo de royalties ou impostos. Quem acabou com essa brincadeira foi o Exército e, logo após, a extração teve que ser regulamentada, fazendo com que a empresa, que vendeu sua participação em 2016, pagasse royalties para os agentes devidos.  

Quer uma melhor?  Em 2005, foi homologada a Reserva Serra Raposa do Sol, em RR. A área é de 1,7MM de hectares. É um pouco menor do que o Estado de Sergipe. Olha que bacana: em Sergipe, vivem 2,22MM de hab e sabem quantos índios vivem na Reserva Serra Raposa do Sol? 20 mil! Bom, não precisa falar que lá, que representa uma parcela significativa do território de Roraima, é uma das áreas cujo subsolo é dos mais valorizados do mundo, com imensas reservas de Nióbio, Diamante, Ouro, Zinco, Urânio, Ametista, Cobre e outros minérios.  Com a demarcação da área, restou proibida a exploração comercial desses minérios na região. Contudo, hoje se sabe que, logo após a demarcação, o governo petista começou a contrabandear, em especial, Nióbio para a China e para a Rússia. Ali, mais uma vez, esse contrabando era ilegal e não resultava em qualquer tipo de arrecadação para os municípios envolvidos, para o estado de RR e para a União. O que se sabe é que contas Offshore de titularidade dos gestores do PT eram alimentadas com as comissões pagas pela extração. 

Agora vem uma boa. O contrabando tomou um vulto tão grande que se começou a repensar a logística. Levar a carga até Santos para despachar para a China e para a Rússia começou a ficar caro, já que a carga era muito grande. Uma solução deveria ser pensada. Sabe o que saiu daí? O porto de Mariel em Cuba! Você nunca se perguntou por que o Brasil financiou, via BNDES, e fez, via Odebrecht, um puta porto em Cuba? Vale dizer que Cuba vive, além do turismo, da exportação de Níquel e Cobalto. Acontece que Cuba exporta, mais ou menos, uns US$ 2,5bi e só para se ter uma noção, o Brasil exportou em 2019 US$ 224bi, ou seja, quase 100x mais. 

Mas mesmo assim, o Brasil financiou, a fundo perdido, porque não foi o honrada a dívida, um porto de primeiro mundo, com uma capacidade muito além da necessidade da economia cubana. 

Mais um adendo. Sabe como funcionava esse financiamento? Primeiro, a Camex, Câmara de Comércio Exterior do Brasil, melhorava o rating dos países para quem o BNDES iria emprestar dinheiro. Após isso, era aprovado o projeto executivo do empreendimento, no caso, do porto, em valor muito maior do que o efetivo da obra. Para finalizar a operação, era necessário um garantidor (tipo um avalista, um fiador). Sabe quem era o garantidor? O Tesouro Brasileiro. Ou seja, se Cuba não pagasse, a cobrança recaia sobre o Tesouro Brasileiro, que foi quem emprestou a grana!

Bom, a obra que ia sair, por exemplo, US$ 1bi saia por US$ 2,5 bi. O excedente era dividido entre o governo cubano e o governo petista. A taxa de juros era subsidiada, ou seja, menor do que a taxa do mercado praticada aqui no Brasil e, assim, quem pagou por esse spread negativo foi o contribuinte brasileiro e, em caso de calote, o que era certo, quem garantia o pagamento era o Tesouro Brasileiro, ou seja, mais uma vez, o contribuinte brasileiro arcava com a brincadeira. 

Mas por que, além da sacanagem do superfaturamento, construir um porto tão moderno em Cuba? Porque a exportação de Nióbio ganhou um vulto tão grande que valia a pena mudar toda a ordem logística. Daí, ao invés de transportar o minério até o Porto de Santos e, de lá, despachar para cruzar o Atlântico, começou a valer a pena enviar via Porto de Vila do Conde (MA) e Porto de Santarém (PA), com entreposto em Cuba, para seguir, via pacífico, para a China e para a Rússia. 

Em 2015, o Exército desmantelou esse esquema, lembrando que o Porto de Mariel ficou pronto em 2014, o que mostra que os caras queriam explorar essa prática por muito tempo.

Para finalizar, vamos fazer um exercício de raciocínio aqui juntos. 

Quando os militares deixaram o poder em 1985/1986, eles estavam em baixa. Mais até do que estarem em baixa, eles estavam cansados. O ciclo de poder de 20 anos tinha chegado ao fim e foi desgastante. Eles queriam mais era sair da Política mesmo. 

Foi o que fizeram e começaram a apenas acompanhar as coisas de longe. Viram Sarney assumir no lugar do Tancredo, viram o Collor ser eleito, viram o Collor ter que renunciar para não sofrer impeachment (o que acabou acontecendo mesmo assim), viram o Itamar tomar seu lugar e viram o FHC ser eleito. Até ali, se mantiveram inertes. Do governo FHC para frente, como eu exemplifiquei aqui (e há vários outros exemplos) intervieram pontualmente quando viram que o “entreguismo” (do FHC e do PT) estava ameaçando a soberania nacional. Mas, sempre com ações pontuais e cirúrgicas, sem adentrarem no campo político. 

Pois bem. Lula foi eleito pela vontade popular e, mesmo com os escândalos de corrupção (Correios e Mensalão), foi reeleito, ganhando do Alckmin, em 2006. Esse era o caminho que o povo havia escolhido. Em 2010, a popularidade de Lula elegeu Dilma. Mais uma vez, era a vontade popular. Acontece que, em 2013, eclodiram as grandes manifestações. Começou-se com um movimento de Esquerda, por conta do aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus em SP (MPL – Movimento Passe Livre) e se tornou um questionamento geral acerca de todo o sistema político brasileiro. Quem lembra que a Dilma prometeu um plebiscito para tratar da reforma política depois da invasão ao Congresso? 

Em 2013, os militares já estavam de saco cheio. O maior crime cometido pelo governo do PT não foi a roubalheira, mas sim a inversão dos valores da sociedade. Como disse lá no começo, militar não gosta disso. Na verdade, sequer sabe lidar com isso. Até que chega um dia fatídico em que a Dilma chama o comandante maior do Exército, o General Villas-Bôas, e determina que o Exército use da força para conter as manifestações populares. Nesse momento, o general, como ele confessou depois, quase deu voz de prisão à Dilma, já que entendia que uma ordem inconstitucional deveria ser repreendida. 

Para melhorar, fraude, evidente, nas eleições de 2014. Isso pouco importou ao Exército, já que, desde 2013, as Forças Armadas já haviam decidido que era hora de retomar o poder e frear o derretimento da sociedade. Contudo, as Forças Armadas sabiam que a tomada do poder tinha que ser legitimada e só seria legitimada se fosse pelo voto popular.

Repare que foi em 2014 que aparece o personagem Jair Bolsonaro. Em que ano JB disse à Maria do Rosário que ela não merecia ser estuprada?

Nesse contexto, o PSDB aperta forte a Lava Jato para derrubar Dilma e inviabilizar Lula, imaginando que naturalmente, assumiria o poder. Contudo, não contavam com JB.

Vocês precisam entender que a eleição de JB foi um plano milimetricamente planejado pelas Forças Armadas, em aliança com um político de carreira, que conhecia tudo de Política e que falava a língua do povo. Por que vocês acham que o Paulo Guedes foi escolhido para Ministro da Economia (concentrando Fazenda, Comex, Planejamento e Desenvolvimento e gestão)? Quem aqui, que não tinha contato com o mercado financeiro, conhecia o Paulo Guedes? Para quem não sabe, depois do doutoramento na Universidade de Chicago, Guedes foi, em 1973, trabalhar no Chile, supostamente como pesquisador e acadêmico da faculdade de Economia e Negócios da Faculdade do Chile. Nos bastidores, todos sabem que foi um dos gurus econômicos de Pinochet e responsável por grande parte do crescimento e desenvolvimento da economia chilena. Ou seja, era um cara que sabia trabalhar num regime militar.  

Se JB precisava dos militares para lhe dar retaguarda, os militares precisavam de JB para dar legitimidade ao governo. Quem não lembra daquele discurso do Mourão em que ele fala sobre a diferença de JB e Médici e arremata dizendo que JB foi eleito e Médici não?

Eu sei que o texto está gigante e ninguém mais vai querer ler, mas para tentar concluir, como eu já disse por várias vezes, o governo é uma coalisão entre políticos ideológicos e militares pragmáticos. O governo não é um nem outro. É os dois. E é uma combinação muito promissora, a meu ver. Temos que entender a guerra cultural que os militares de 64-85 não entenderam, mas precisamos colocar as ideias em prática. É a estratégia idealista conservadora e a execução inabalável dos militares. 

Todos querem que JB seja um estadista. Se você for atrás do conceito de estadista, verá que a melhor definição é que é alguém que governa por princípios e para gerações futuras. Ora, então, fica muito claro que, antes de ser estadista, a pessoa precisa ser governante e, por isso, é necessário, criar condições para que governe. E é isso que JB está fazendo.

Agora, qual papel das FA nesse cenário? O que esperar deles?

Em primeiro lugar, já vimos que as FA precisam de JB para lhe dar legitimidade. No mais, os traumas do fim do regime militar ainda urgem e o que o governo (e aí falo de JB e das FA) menos quer é parecer autoritário. Eles, realmente, na visão deles, precisam se mostrar os mais democráticos possíveis, mesmo que isso tenha um preço. Veja, tudo, absolutamente tudo, que o lado de lá quer é uma investida autoritária de JB para confirmar tudo que vêm falando há dois anos: que JB é autoritário e ditador. É por isso que é necessária cautela. 

Na minha opinião, de tudo que venho analisando desde 1997, os militares não serão proativos. No meu entendimento, estão certos, inclusive. Não podemos esquecer que as coisas chegaram onde chegaram porque nós deixamos. Quem aí assistiu a uma sabatina de um ministro do STF no Senado? Dormimos por vinte anos e agora temos que ter paciência. Transferir a responsabilidade para o Presidente ou para as FA é covardia. Democracia se exerce no dia a dia e não apenas na eleição. Temos que cobrar nossos parlamentares para que ajam como prometeram. Esperar que JB ou os militares limpem a casa em um ou dois anos depois de termos dormido por vinte é, no mínimo, injusto. Vamos assumir nossas responsabilidades e votar certo em 2022 e, principalmente, cobrar de nossos parlamentares ações alinhadas com os motivos pelos quais os colocamos lá. 

De qualquer forma, o que vejo é que as FA não permitirão trapaças no meio do caminho. Tenho certeza que cassação de chapa e fraude eleitoral estão afastadas. Ou seja, deixarão a gente jogar o jogo com as regras que existem, garantindo que não haverá mudança nas regras para nos prejudicar. É isso e só isso que temos que esperar deles. 

Agora, depois de tudo isso, mais de 5.000 palavras, se você preferir continuar indo para a conclusão simplista de que os generais são “melancias” porque tem uma foto com o Aldo, porque tem uma fala x do Mourão ou porque o velho e ressentido Olavo disse, aí, realmente, eu não posso fazer nada. Te garanto que eu me esforcei e dediquei, pelo menos, umas 3 horas do meu dia para tentar te explicar o que, para mim, é óbvio. Se não acreditar, sem problemas, mas a minha parte eu fiz.


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