05/08/2009

Um Pouco de Luz

No século XIV a.C., no reinado do Faraó Amenóphis IV, posteriormente conhecido por Akhenaton, o culto a Aton (Disco Solar), o primeiro monoteísmo da história, foi implantado no Egito, para, poucos anos após, desaparecer nas névoas do tempo.

Akhenaton, que foi um verdadeiro Príncipe da Paz, deixou-nos um importante legado espiritual, plenamente válido e precioso para a Humanidade no século XXI, que já enfrenta sérios problemas de ordem planetária.

Talvez os seus ensinamentos possibilitem aos seres humanos o resgate das suas Raízes Solares, espirituais e físicas, auxiliando cada um de nós a encontrar o seu verdadeiro lugar no Universo, objetivo principal de nossa existência neste planeta.

Aquele que conseguir despertar o seu “Sol Interior” terá o dever de mostrar aos seus irmãos de jornada o caminho para essa descoberta.

E que os “Filhos do Sol” despertem e encontrem-se nesta vida!

(Paulo R. C. Medeiros)

Em muitos aspectos, a crise por que passa a Humanidade é resultado de um fato muito simples: o ser humano desconhece o seu verdadeiro “eu”.

Quem é esse ser pensante e dotado de livre-arbítrio, que, apesar de pouco saber de si, já olha para o Universo como mais um território a ser conquistado no futuro?

Que pensa em conquistar e dominar o Universo sem que, antes, tivesse direcionado as suas atenções para o Universo interior, aquele existente dentro do ser humano, que também é misterioso, fascinante e infinito.

Quem somos, de onde viemos, por quê estamos aqui e para onde vamos são perguntas que vêm sendo feitas há milênios. Mas até agora não se chegou a uma resposta plena, que satisfaça a todos.

Assim, a Humanidade encontra-se distante de uma resposta adequada às suas indagações existenciais, que a satisfaça e que acalme a ansiedade e angústia que vivem em cada coração.

Não sabemos, com certeza, quem é essa entidade espiritual que habita o corpo físico a que chamamos de “humano”. Sabemos apenas que esse ser espiritual escolheu o nosso cérebro como sua residência temporária na Terra. Literalmente, ele está de passagem por este mundo!

Não saber de si mesmo e não possuir uma identidade definida é um sério problema. Por causa disso, as ações humanas são totalmente descompromissadas com a vida planetária, em todas as suas formas.

Afinal, quem não sabe e nem quer saber de onde vem e nem para onde vai, como um navio sem leme, não possui qualquer razão para dar valor à sua própria vida e ao mundo em que vive. Alguns são prisioneiros de si mesmos.

Em conseqüência, também não valorizará qualquer outro ser humano. Dessa forma, o sofrimento espalha-se no planeta por culpa de um desencontro da Humanidade com a sua verdadeira essência, que é espiritual.

Portanto, qualquer tentativa de conciliar a Humanidade com o mundo em que vive terá, obrigatóriamente, de passar pela questão da identidade do ser humano, de determinar-mos quem ele é. Ou seja, nós mesmos. Pois muito do que pensamos a nosso próprio respeito é tão somente o resultado de um consenso social que nem sempre corresponde à realidade.

Essa identidade a ser resgatada possui dois aspectos importantes: de um lado somos seres físicos, materiais; de outro, somos seres espirituais. Os dois aspectos, físico e espiritual, não formam uma dualidade, mas, isto sim, uma unidade. Vale, porém, apenas para esta vida. Daí a sua importância para o que chamamos de “aqui e agora”, pois o corpo, ao final da existência, fica, mas o espírito segue em sua jornada cósmica.

A verdadeira identidade não é a mesma conferida ao indivíduo pelo mundo humano, mas a de natureza cósmica, que se encontra impressa no âmago de nossa alma, nossa maior preciosidade.

A verdadeira identidade do ser humano surgiu antes do nosso nascimento na Terra. Ela tem a idade do Universo: bilhões de anos...

Quando o Big Bang ocorreu, as sementes espirituais foram espalhadas por todo o Universo. Na Terra, elas floresceram. Mas se não soubermos cuidar do jardim terrestre, ele acabará...

Precisamos de um corpo físico temporário para que o espírito, possuidor de uma essência cósmica e eterna e cuja identidade desconhecemos, possa passar pela vida terrestre e adquirir, através da experiência sensorial, novos conhecimentos e aptidões.

Cada conhecimento adquirido representa mais um degrau que galgamos em direção à compreensão do que seja o Universo e qual o nosso papel nesse caminho.

Na verdade, somos todos alunos matriculados em uma “escola cósmica”. E essa escola possui um “currículo cósmico”! Você já pensou sob qual nome você estaria matriculado nessa escola?

O aspecto físico da identidade é, portanto, fácil de ser demonstrado. Nosso conhecimento intelectual já nos ofereceu uma explicação satisfatória, distante de quaisquer especulações filosóficas e superstições.

Possuímos, em nossa constituição física, os mesmos elementos químicos que formam as estrelas e planetas. Em sentido amplo, somos Filhos do Universo; Filhos do Sol e da Terra, em sentido estrito. O povo inca nunca duvidou disso.

"O homem andino passou a chamar-se Filho do Sol, porque seu ideal era ativar o seu ‘Sol Interno’, reconciliando-se com as forças femininas da Pachamama (Mãe Terra) e com as forças masculinas de Viracocha (Grande Criador).”

“O ‘Filho do Sol’ é o compromisso com a unificação e o crescimento, um compromisso de viver profundamente os seus poderes e de ser tão brilhante quanto o nascer do Sol.”

A maior dificuldade em determinar a nossa identidade está na parte espiritual. Ou no plano consciencial, se preferirmos o terreno científico.

Tal como o nosso transitório corpo físico reflete a materialidade das estrelas e planetas, a mente reflete os princípios cósmicos. Somos seres mentais.
Sem a nossa mente nada somos. O que as pessoas precisam saber é que a nossa mente é, acima de tudo, uma manifestação de princípios cósmicos.

Mas os princípios cósmicos passam pelo mesmo processo porque passa a luz branca quando atravessa um prisma. A mente atua como um prisma e divide em muitas partes tais princípios.

É essa partição que gera no ser humano a sensação de separatividade. A evolução visa justamente a reintegração dessas partes desconectadas entre si.

Essa ligação transcendente é, embora incompleta, a única explicação satisfatória para a Humanidade. Não podemos pensar que a espiritualidade seja um fenômeno restrito ao planeta Terra.

Foi a partir dessa visão que todas as grandes religiões construíram suas bases teológicas e doutrinárias. O cristianismo, por exemplo, fala da “queda”, que nada mais é do que a separatividade.

A própria origem da palavra religião é importante, pois vem de “religare”, ou seja, ao reintegrar o ser humano à sua dimensão cósmica, divina, as práticas religiosas estariam reparando essa “queda”.

Contudo, cada uma das religiões formulou a sua própria interpretação desse importante fato cósmico e conforme a cultura em que se inseria. Porém, todas elas reconheceram que a resposta estava nos “Céus”, em uma outra dimensão além desta terrena.

Eis, então, a fonte primária de todas as discordâncias no terreno religioso e que tantos problemas ocasionam para o mundo. Cada uma das religiões tomou para si o direito a ser a única e verdadeira. Há poucos exemplos de tolerância na esfera religiosa. Assim procedendo, tal como acontece em uma simples equação matemática, todas se anulam mutuamente, pois 1 – 1 = zero.

Você já observou o quanto é monótono um jardim com pouca variedade de plantas? O mesmo é válido para a Humanidade. As diferenças entre as culturas são como as flores em um jardim. Elas trazem beleza e sentido ao mundo.

Quando veremos tanta sabedoria quanto a mostrada por Sai Baba, o santo indiano, que mostra em seu “brasão” pessoal os símbolos do judaísmo, budismo, islamismo, cristianismo, hinduísmo e zoroastrismo?

Um bom exemplo para aqueles que julgam a “sua verdade” como a mais importante! É, na verdade, um belo jardim espiritual...

Cabe-nos, então, um profundo trabalho interior. Teremos de corrigir os erros de nossas jornadas, vermos as coisas sob novos prismas e encontrarmos caminhos alternativos para as nossas vidas.

O primeiro resultado desse trabalho interior é a paz em nossas vidas. Embora não tenhamos uma resposta completa às nossas indagações, saber que somos filhos do Universo, do Sol ou da Terra, dependendo da amplitude dos nossos pensamentos, é um bom começo para acalmar nossos corações.

O segundo resultado é a sensação de sentir-se integrado à Natureza, de fazer parte do todo que nos envolve. Quem alcança este estágio sente uma grande felicidade simplesmente por estar vivo, pelo grande privilégio de ter nascido neste planeta.

O terceiro resultado é a compreensão do que é a vida, em seus aspectos físicos e espirituais. Esse entendimento, por sua vez, leva à aceitação da existência de mistérios indevassáveis envolvendo a Criação e, portanto, nosso ser.

Quem tem paz interior, consegue integrar-se à Natureza e alcança uma boa compreensão quanto à vida. Torna-se uma pessoa realizada. Poucos de nós chegam a esse estágio. Nesse momento de nossas vidas afloram os princípios de fraternidade, compaixão e solidariedade.

E por que não chegamos a esse estágio? Pela simples razão de ser necessária uma mudança na maneira de viver. Saber de si mesmo é um longo trabalho que exige muito esforço e determinação. Muitos desistem já nos primeiros passos, enquanto outros sequer tentam.

Talvez esta seja a grande missão da Humanidade neste planeta, pois quem sabe de si também sabe o que deve ser feito. Mas, principalmente, o que não deve...

Embora seja um caminho livre e aberto para qualquer ser humano, nem todos o seguem. Muitas pessoas não só o evitam, mas dele fogem. Medo de si mesmo? Provavelmente...

Quantas coisas novas surgiriam se nosso padrão de percepções fosse alterado? Os problemas do mundo não seriam apenas uma crise de percepção? Existiria uma mensagem velada para a Humanidade, apenas esperando um “novo” ser humano?

O que aconteceria se olhássemos a nossa própria vida sob outros prismas? Que imensas e significativas descobertas faríamos a nosso próprio respeito?

A maior explosão do Universo, o Big Bang, poderá ser suplantada por outra bem maior: a explosão da consciência, talvez o verdadeiro objetivo desse trabalho cósmico de bilhões de anos.

Pois, se a tendência do Universo, conforme os astrofísicos, é a da entropia, um estado indiferen-ciado no qual predominariam o frio e o vazio, a consciência tende justamen-te ao oposto, cada vez mais expandida, vibrante e intensa.

Pense sempre em si mesmo como “Filho da Luz”, “Filho do Sol” ou “Filho do Universo”, que significam “Filho de Deus”. Quando Deus Lhe deu a consciência, também Lhe deu o direito a assumir essa identidade, que é uma parte Dele próprio.

Quando isso acontecer, a “Mãe Terra” e, junto com ela, toda a Natureza, ficarão, com certeza, agradecidas. Mais um ser humano despertou. Um grande acontecimento cósmico. Seu “Cristo Interior”, seu “Sol Interior”, surgiu!...

Quando afirmamos, com determinação e sinceridade de propósitos, algo que reflita nossa origem cósmica, o poder disso é muito grande.

Assim, siga, passo a passo, as palavras do Decreto EU SOU LUZ, através do qual a sua identidade cósmica é afirmada em toda a sua plenitude.

Iluminando o mundo onde quer que eu vá, Abençoando, fortalecendo e anunciando o propósito do Reino dos Céus! Jesus Cristo é a melhor representação da Luz que pode vir à tona em cada ser humano.

O “Cristo Solar” é o que a nossa limitada compreensão pode absorver, por enquanto, desse Reino da Luz.

Pense nesta afirmação: EU SOU! Quem de nós pode fazer, com firmeza, tal afirmação? Somente aqueles que possuírem um senso de identidade verdadeiramente cósmica.

Quando acreditamos nessa identidade cósmica e permitimos que ela faça parte do nosso cotidiano, ou seja, em todos os momentos de nossas vidas, muitas coisas boas podem acontecer.

O primeiro presente é o conhe-cimento; o segundo, a sabedoria.

Assumindo essa identidade, você se sentirá em paz consigo mesmo, em relação à sua família, seus amigos e colegas de trabalho. Você estará em paz com toda a Humanidade.

Tente compreendê-lo em toda a sua extensão e profundidade. Medite a respeito e tente memorizá-lo até que ele faça parte integrante e ativa de sua memória.

Mas não se iluda com a aparente simplicidade das palavras nele contidas, pois elas refletem uma sabedoria milenar que ficou distante da maior parte da Humanidade durante muito tempo, quando não intencionalmente sufocada.

Que o Poder da Luz consiga unir todas as religiões e filosofias de vida. Que todos os seres humanos compreendam que a origem da vida é o Reino da Luz e que recuperem a identidade cósmica.

Que todos os “Filhos da Luz”, os “Filhos do Sol”, sejam os portadores e disseminadores dessa Verdade e que lutem, incansavelmente, por um mundo melhor.

Que este pequeno texto possa aumentar a sua Luz interior e compreensão do Universo Interior.