29/05/2008

Como é ter 50 anos...

Como é ter 50 anos...

O que pensam as pessoas, sobre chegar-se aos 50 anos?
Depende muito da idade de quem está pensando.

Para uma criança de 10 anos de idade, chegar aos 50 anos, é ser, incontestavelmente, avô ou avó de muitos netinhos. Dar bons presentes no Natal, ser deixado de lado nas festas de aniversário porque são lugares onde geralmente tem muito barulho e os avós nunca gostam do barulho que as crianças fazem, mas, mesmo assim, são eles que compram os melhores presentes, ou, pelo menos, os que os netos mais gostam, ainda mais se as roupas puderem ser compradas pelos pais. Enfim, para os miúdos de 10 anos, ter cinqüenta anos equivale a ser um cofrinho, só que bem mais poderoso que o deles, e onde as moedas não fazem barulho.

Mas, e quando chegam aos 20 anos? Para os jovens de 20 anos, ter cinqüenta anos é ser antiquado, ter dores embaixo, em cima, do lado, enfim, a decrepitude em pessoa.
Estorvo: é como eles vêem as pessoas de 50 anos. As músicas e filmes que povoam as lembranças dos cinqüentões não provocam aplausos nem vaias nos jovens de 20 anos, provocam algo que eles expressam com "UahUahUah" que, infelizmente, eu não consegui definir o que seja. Eles têm absoluta convicção de que não chegarão lá, ou melhor, pensam que chegarão aos 50 com o vigor dos 25, é mais ou menos isso.
A grande maioria acha, também, que as mulheres de 50 anos são muito mais velhas que os homens da mesma idade, principalmente se os homens tiverem cabelos grisalhos e se parecerem com o Antônio Fagundes ou Richard Gere.

Mas tem a turma dos 30.
A avaliação dos cinqüentões melhora consideravelmente aos olhos dos que têm 30. Não são mais tão velhos, passam a ser "maduros". Afinal, começa-se a aceitar a idéia de que todos, crianças ou não, vão ter que encarar o "maledeto" 50, mais cedo ou mais tarde, dependendo de como for a vida. Se ela estiver boa, passa como um raio. Se as coisas se complicarem, arrasta-se sonolenta e desesperadoramente.

Mas, lentamente ou não, chegamos à turma dos 40. Para esses, ter 50 é ser menino ainda, principalmente depois que o "rei" Pelé lembrou a todos que a vida começa aos 40.
É mais ou menos nessa época, nos 40, que descobrimos o "espírito". Sim, porque, a partir daí precisamos dele para dizer que ele não envelhece, que tudo depende de como você encara a vida, que ser jovem é um estado de
espírito, e "blá blá blá". Só "blá blá blá" mesmo, porque as rugas estão lá, traiçoeiras e atrevidas.
Você pode esticar feito a Glória Menezes e parecer que está rindo quando está chorando, mas eu ainda sou de opinião que é melhor não bolinar nas danadas das rugas, porque quanto mais estica, mais o caldo entorna, essa que é a verdade.
Mas o designativo "menino(a)" é a marca registrada dessa idade, porque eu garanto a vocês, que nunca fui chamada de menina tantas vezes, como na última década.

E agora vou chegar aos 50... já estou na contagem regressiva, se é que se pode chamar assim. Então, eu mesma vou dizer como é ter 50 anos, para quem está quase lá...
Você acorda de manhã, cara amarrotada e feia, porque todo mundo é feio com 50 anos de manhã, olha para o espelho, com cara de poucos amigos, pensa um pouco, só um pouco, e diz lá com seus botões: -"Putz, você já viveu um bocado, hein?!"
E sai pra vida, como se tivesse 20 anos...


Terê Penhebe